terça-feira, 30 de agosto de 2016

Sobre a cidade que eu vivo: LIVERPOOL! - Parte 1.

Liverpool é uma cidade bem peculiar, por ser um centro turístico por conta dos Beatles, a cidade é repleta de atrações, baladas, e tem todo o conforto de uma capital. Mas diferente de Londres e outros centros turísticos o custo de vida é baixo com grande qualidade. O que mais me impressiona é a diferença dos bairros próximos ao centro e os mais afastados, o que se transformam naquelas pequenas vilas onde todo mundo conhece todo mundo, quase como uma cidade do interior. Eu amo!

Mas assim como todo lugar há suas desvantagens contra as inúmeras qualidades. 

O meu primeiro mês em Liverpool foi extremamente difícil por conta do SOTAQUE. Não que eu tenha um inglês perfeito, ainda tenho muito que aprender, mas é de conhecimento geral e inclusive muito criticado pelo restante da Inglaterra o tal do "Scouce" (pode significar o sotaque de Liverpool, pessoa que nasceu em Liverpool e também um ensopado típico inglês). Eles falam bem rápido, trocam algumas letras e sons, além das gírias específicas da região. Por exemplo: Eles não falam "my" para meu, eles falam "me" como "mim". Então numa conversa uma pessoa falando rápido comenta que tá indo se encontrar com "me dad". Você acha que é o nome da pessoa, não com o pai. Chamar hospital de Ozzy, comida de scran, irmão de "ar kid", inumeras palavras e gírias que a não ser que você more aqui por um tempo, não dá pra ter noção do que se trata. Mas é tudo questão de costume, afinal Scouces são de grande parte bem amigáveis e adoram ensinar o dialeto aos curiosos. 

Se tiver curiosidade sobre isso, tem um Coreano mostrando a diferença do Inglês de Liverpool e do restante da Inglaterra em vários videos.



O clima pra quem é acostumado com sol de 6 às 6h todos os dias pode ser um desafio, já que as temperaturas no inverno chegam a -10ºC, com sol nascendo as 8h da manhã e se pondo as 4h da tarde. Chuva, muita chuva! Mas em contrapartida no verão a gente tem o sol nascendo as 5h e se pondo quase as 9h da noite! Os dias são super longos e gostosos de aproveitar. Se você tem a mente mais aberta acaba se acostumando a curtir cada estação como se deve. Primavera e outono o sol é basicamente das 6 as 6h como no Brasil, o que muda é a temperatura e as cores da vegetação, mas acredito que ambos são extremamente peculiares em sua beleza!


JANEIRO, o mês mais frio do INVERNO, porém sempre tem o Sol dando o ar da graça. Não é sempre cinza como dizem...

Fim de março/inicio de abril já dá pra deixar o casaco aberto porque é PRIMAVERA! Os parque ficam lindos e coloridos, até a grama fica cheia de flores brancas e amarelas. Flores e mais flores! É muito comum ver papoulas nos parques já que é basicamente o simbolo dos veteranos ingleses. É um simbolo Nacional.
 

Logo fica mais quentinho e o VERÃO vem a toda em Junho/julho! Muitas atividades na água são bem vindas (apesar de que a praia de Liverpool não é pra banho) no Marine Lake (o lago de água salgada ao lado da praia) como Wind Surf, Remo, Caiaque e até mesmo natação. Dá pra andar de chinelo por aí, e só ter uma "blusa" pra cortar o vento. A temperatura é por volta de 30ºC e os dias são bem longos!


 

O OUTONO chega em setembro com a mudança das folhas e a queda da temperatura... os casacos são bem vindos novamente, as os dias ainda não acabam tão cedo então dá pra curtir bastante...

 

E pra finalizar o INVERNO, que fecha o ano e começa o seguinte, mas o friozinho é bem gostoso pro natal, e os dias curtos são iluminados com as decorações por toda cidade. Além dos tradicionais "Christmas Markets" repletos de comidas típicas e vinho quente, a cidade sempre conta com outras atrações, faça chuva ou faça sol.

 

Uma coisa que você aprende aqui é perder o medo da Chuva. Todo mundo anda de casacos impermeáveis com capuz prontos pra mudança de clima. A não ser que tenha ventania os "Liverpodians" não deixam seus compromissos serem abatidos pela água. Até porque dependendo do mês dá pra marcar os compromissos pra "antes ou depois da chuva" devida a frequência... durante pra eles também é permitido! haha!




Quanto a vantagens, acho que é necessário falar o quanto é uma cidade cheia de cultura, com gente do mundo inteiro morando aqui e contribuindo com os jeitos da cidade. Acho que por ser uma cidade portuária acaba sendo mais aberta aos estrangeiros. É incrível que com uma caminhada no centro da cidade você acha restaurantes com comidas típicas de vários países: mexicana, grega, italiana, australiana, indiana, nepalesa, brasileira, chinesa, japonesa, turca, etc. Comida pra todos os gostos! Além da fome física há diversos festivais pra matar a fome de cultura. Os que mais me marcam são o Ano Novo Chinês e claro a Brazílica (carnaval brasileiro nas ruas de Liverpool).

 
 

Ano novo Chinês:

 
 

Também não dá pra deixar de fora os festivais de musica como o Africa Oyé, além de claro todos os festivais envolvendo a cultura Liverpodiana. Há sempre festivais de comida e bebida, festival de música onde introduz novas bandas locais e trás atrações internacionais (Liverpool International Music Festival), todos geralmente no SEFTON Park.

O interessante dos festivais aqui que geralmente o pessoal acampa e faz piquenique no gramado. Movimento só tem mais perto dos palcos. É mais sobre ouvir as músicas e curtir os amigos e familiares que estão contigo.
 

Bom, acho que deu pra ter noção do que é um pouquinho da vida por aqui. Depois falo mais sobre o centro, Beatles e turismo!

Esperam que tenham gostado!

Porque tudo tem que ter um começo...

Olá, meu nome é Andréia. Eu tenho essa mania de escrever sobre tudo. Especialmente quando o mundo virtual é o seu único acesso ao que lhe é comum. Dividir o seu dia a dia através de um blog torna tudo um pouco mais prático: àqueles que se interessam a continuar parte da sua vida podem saber de todas as novidades e comentar, àqueles que dividem a mesma experiencias e querem se sentir representados também, fora aqueles que tem a curiosidade de saber como é, tentar vivenciar através de outro pra saber se é isso que se quer: bem vindos. 

Eu moro a 2 anos e meio fora do país, mais precisamente na Inglaterra. Sou de Goiânia, capital de Goiás, cidade que é super cosmopolita, agitada, com tudo que tem direito, apesar de que, ao meu ver, as pessoas ainda tem a  mentalidade de uma vila do interior.

Goiânia sempre me ofereceu boa parte do que eu precisava: família, amigos, educação, banda, balada, amores... Mas eu nunca fui muito com o jeito que as coisas funcionam, na verdade isso é com relação à todo Brasil, não só a minha cidade. É que eu nunca achei que qualidade de vida fosse dinheiro. Tá que o custo de vida do brasileiro é tão caro que as coisas realmente se misturaram, mas eu sempre quis algo a mais.

A vida que eu vi minha família ter e que eu tava seguindo pela mesma direção era "se mate de estudar, depois de trabalhar, tenha filhos, faça a dívida de uma casa e um carro, e depois aos 60 anos de idade depois da aposentadoria você pode aproveitar a vida." Se sobrar dinheiro, porque afinal você tá construindo o futuro dos seus filhos.

Isso nunca foi pra mim, eu quero ter os filhos e tudo mais. Eu quero estudar e trabalhar duro, mas não quero que a minha recompensa seja uma "coisa nova". Não gosto de coisas que me façam ficar em casa. Tá que  um filminho e videogame de vez em quando é legal, mas eu quero ter a oportunidade de sair, conhecer, viver.

Minha mãe comprou uma passagem pra vir me visitar e a custou por volta de 4 mil reais, sendo que uns 500 desse dinheiro era um voo de Goiânia a Brasilia. Tipo, 3h de carro, menos de 1h de avião. Eu fui pra Dublin, saindo de Liverpool, paguei £10 round trip - isso mesmo! Ida e volta por DEZ LIBRAS. Tá nem tudo é tão escandalosamente barato assim... Uma viagem de trem pra londres custa em média £60 por pessoa ida e volta, mas mesmo assim não se compara ao absurdo do que eu pagava no Brasil.

O ponto de isso tudo? Qualidade de vida advinda do poder aquisitivo é acessível a todos. Sozinha eu gastava 250 por semana no supermercado enquanto em Goiânia, já aqui eu gasto por mês os mesmo 250 pra duas pessoas na compra DO MÊS. Uma pessoa que trabalha e ganha um salário mínimo aqui facilmente paga as contas, se veste, se alimenta. Não é luxo. 


Qualidade de vida pra mim é como dizia o meu amigo Mogli em sua famosa canção: "necessário, somente o necessário... o extraordinário é demais!". Eu não preciso me matar pra ter algo bom, viajar, fazer um programa legal QUANDO EU QUERO, e não só aos 60 depois da aposentadoria.

Esse é só o começo. Um oi falando sobre como sou eu e o que eu penso da vida. logo vem mais...

Espero que tenham gostado.